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Bolsa em sintonia com as mudanças
O início de 2007 revelou indicadores acima do esperado na economia brasileira e mundial. No País, com a inflação na casa dos 3% ao ano e a expectativa de crescimento do PIB acima de 4%, atenuam-se as críticas à política do Banco Central e os juros básicos declinam dos 19,75% ao ano de novembro de 2005 – a maior taxa em três anos e meio – para os 12,5% ao ano de abril, com a perspectiva de continuarem cedendo. Este patamar de taxas, o mais baixo em 11 anos, alimenta o interesse dos investidores pelo mercado acionário, que bate sucessivos recordes. Queda do risco Brasil, liquidez farta, lucros satisfatórios das empresas abertas e, sobretudo, o aumento das aberturas de capital e das emissões de ações e debêntures completam um quadro muito favorável ao mercado. Externamente, o cenário também é promissor, com o pouso suave norte-americano, ao mesmo tempo que o mundo continua a mostrar um ritmo vigoroso de crescimento.
Com isso, vão aos poucos se desvanecendo os cenários mais temidos, tanto em 2006 como em fevereiro último, do efeito dominó resultante da queda das ações na Bolsa de Xangai. E, enquanto se reduz a percepção de risco, perde eco o alerta dos pessimistas de plantão, incomodados com um mundo que insiste em se manter de pé.
Os avanços da estabilidade abrem espaço, no Brasil, para uma nova agenda, em que as palavras-chave são meio ambiente, sustentabilidade, bioenergia, governança corporativa, respeito aos minoritários – temas abordados nesta edição da Revista Bovespa. Com a criação da Bolsa de Valores Sociais e Ambientais (BVS&A), em lugar da BVS, a Bolsa se transforma em sintonia com as tendências globais. Neste quadro, ainda mais significativo é observar o aumento da procura pelas ações das empresas mais bem governadas e preocupadas com a sustentabilidade, nas quais o lucro não é a única referência de sucesso. A Bolsa cumpre, assim, seu papel como agente do crescimento econômico, disseminador da propriedade acionária e fator de equilíbrio socioambiental.
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