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Origens da São Martinho remontam a 1914, ano do primeiro engenho dos Ometto
O Grupo São Martinho, terceiro maior produtor de açúcar e álcool do País, aproveitou o interesse dos investidores e, a partir dos balanços favoráveis, abriu o capital no Novo Mercado da Bovespa, captando R$ 423,6 milhões para ajudar na construção de sua terceira usina e aplicar em outros projetos de expansão. A entrada em Bolsa deve ser vista como muito bem-sucedida: as ações foram adquiridas por quase 25 mil pessoas físicas – o maior número de investidores individuais atraídos por uma oferta pública nos últimos anos.
Quase ao mesmo tempo, a empresa anunciou um lucro líquido de R$ 77,2 milhões, obtido nos nove primeiros meses da safra 2006/2007. Este resultado superou em 71,3% o do exercício encerrado em abril de 2006. As vendas de açúcar cresceram 33,4% e as de álcool hidratado, 50,9% no período. Refletindo os bons números e o interesse dos investidores por um segmento promissor da economia, os papéis da São Martinho começaram a ser negociados no pregão, dia 12/2, a R$ 20,00. Em 17 de abril já alcançavam a cotação de R$ 27,45, com valorização de 37%.
O período de lançamento trouxe também, segundo o diretor financeiro e de Relações com os Investidores da São Martinho, João do Vale, muitos ensinamentos. “Aprendemos muito com a abertura de nosso capital, com as negociações feitas com a Bolsa para chegarmos ao Novo Mercado”, disse ele. “A empresa atende bem aos investidores, mostra-se transparente”, acrescenta Adriano Blanaru, analista-chefe da corretora Link, enfatizando a importância de a abertura ter ocorrido no Novo Mercado.
A trajetória do Grupo São Martinho começou com a imigração da família Ometto, no final do século XIX, da Itália para o Brasil. O primeiro engenho de cana-de-açúcar foi construído em 1914 e o açúcar começou a ser produzido em 1932. A Usina Iracema, em Iracemápolis (SP), a 160 km da capital e ainda hoje em funcionamento, foi comprada em 1937. Três anos mais tarde, os Ometto adquiriram a Usina São Martinho, situada em Pradópolis, a 330 km de São Paulo e a transformaram em uma das maiores processadoras de cana do mundo.
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Terceira usina – Uma terceira usina está a caminho e a captação de recursos conseguida com a oferta de ações será fundamental para sua viabilidade. Cerca de R$ 200 milhões, valor próximo de 40% do montante obtido com os novos investidores, serão destinados à nova unidade, a Boavista, em Quirinópolis (GO), que deverá entrar em operação na safra 2007-2008, com capacidade de processamento de 1,7 milhão de toneladas de cana, já se prevendo o aumento, em três anos, para 3 milhões de toneladas. A produção de açúcar e álcool chegará ao Sudeste em barcaças, caminhões e, possivelmente, por um alcoolduto da Petrobras. Na safra 2010-2011, o grupo prepara-se para atingir a capacidade total de moagem de 13 milhões de toneladas, como terceiro maior produtor brasileiro.
A Usina Boavista, que se financiou em R$ 248,8 milhões no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deverá acentuar algumas características favoráveis do grupo. A empresa vem investindo crescentemente em projetos destinados a reduzir o consumo industrial de água, diminuir a queima da cana-de-açúcar e reaproveitar os resíduos do processo de produção. As duas primeiras práticas são ecologicamente corretas. A terceira, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, ajuda a conter custos. Vinhaça, torta de filtro e fuligem são reutilizados na lavoura para adubação. O bagaço da cana é processado nas caldeiras, gerando eletricidade nas duas usinas paulistas. Na unidade goiana, esta prática fará ainda mais diferença.
Energia própria – “A energia elétrica que vamos conseguir gerar dessa forma será fundamental para tornar ainda mais eficiente a Usina Boavista, que vai operar com custos 10% menores, em comparação com as duas unidades localizadas em São Paulo”, explica Vale.
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| Carlos Nunes, da Coinvalores |
| O dinheiro é ganho no campo |
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Quem produz commodities, cujas cotações flutuam ao sabor dos mercados, sabe que enxugar as despesas é fundamental. No caso da indústria sucroalcooleira, explica Vale, “o dinheiro é ganho no campo, onde estão 70% dos custos”. Para Carlos Nunes, analista de renda variável da Coinvalores, “o Grupo São Martinho chama a atenção por sua eficiência na administração dos custos”.
O Brasil, maior produtor mundial de açúcar e o segundo maior produtor de álcool, é também o mais competitivo nestes dois mercados. Os brasileiros produzem açúcar por um custo duas vezes e meia menor do que os Estados Unidos; e álcool por 40% menos. Isto se deve, em primeiro lugar, à eficiência de empresas. “Com suas três usinas, o grupo conseguirá uma margem Ebitda” (lucro após o pagamento de impostos, juros, depreciação e amortização) superior a 30%, enquanto no mundo as empresas do setor mal chegam a 20%”, resume Nunes.
Mais produtivo – O grupo, lembra Nunes, vem conseguindo produtividade média acima de 80 toneladas por hectare, quando a média paulista é de 75 toneladas e a média brasileira patina em níveis mais baixos. Ao mesmo tempo, alcança 13,1 toneladas de ATR (açúcar total recuperável) por hectare, acima das 11,8 toneladas conseguidas, em média, na Região Centro-Sul do País. Outro bom resultado conseguido pela São Martinho, diz Blanaru, é a marca de 814 toneladas de cana-de-açúcar processada por dia/máquina, enquanto a média do setor não passou das 620 toneladas.
Anualmente, segundo Vale, a empresa investe pelo menos R$ 50 milhões na compra e atualização dos equipamentos. Na atual safra, o grupo atingirá um grau de mecanização de quase 80%, contra a média de 40%, em São Paulo e de 30%, no País. Em sua nova usina, em Goiás, o porcentual será de 100%. O emprego de máquinas empurra os custos para baixo e dispensa a queima da cana antes da colheita, favorece o meio ambiente. O grupo replanta anualmente entre 15% e 18% de seus canaviais, incorporando variedades mais modernas e produtivas.
O tamanho da área própria plantada conta a favor de qualquer empresa do setor, mas a vantagem só
será efetiva se os campos forem contínuos e em localização próxima da usina. Senão crescem os gastos com o transporte da matéria-prima. Segundo Blanaru, “a distância média que a São Martinho precisa percorrer para pegar a cana e levar para a usina é de pouco mais de 20 km, enquanto muitas empresas precisam andar 60 km ou 80 km para obter o mesmo resultado”. Em Goiás, na ausência de concorrentes para disputar o espaço disponível, explica Vale, o plantio é feito em terras contínuas e muito próximas da nova usina.
Conta pontos o fato de a São Martinho dispor de grande quantidade de lavouras próprias de cana-de-açúcar. Os 89 mil hectares de canaviais não só lhe asseguram a condição de detentora das maiores lavouras próprias do mundo entre as empresas que operam com duas usinas, como fornecem 70% de toda a cana processada.
O açúcar, há um ano e meio foi cotado praticamente pelo dobro de seu atual valor, mas analistas estimam que, com a redução da área plantada na Índia e na Indonésia, a queda da oferta permitirá uma recuperação dos preços entre 30% e 40%. Com alta produtividade, as usinas brasileiras provavelmente serão as primeiras a ganhar com isso.
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