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Otimismo até 2009
Numa hora de apreensões com o mercado acionário, no ano passado, o economista Francisco Barbosa recomendou prudência aos clientes, sugeriu que algumas ações tinham preços baixos e previu tempos favoráveis à frente. Na média, as ações se saíram bem em 2006 (o índice Bovespa subiu 32,9%); novos solavancos ocorreram no primeiro trimestre, em 2007, com a queda das cotações na Bolsa de Xangai, na China; e depois disso o mercado voltou a apresentar uma trajetória de alta. Para o analista, mais conhecido como “Chico” Barbosa, o mercado acionário brasileiro deverá continuar crescendo até 2009 ou 2010, influenciado pelo bom comportamento da economia norte-americana, pela forte liquidez e pela queda dos juros. “Todo dia recebo um investidor preocupado com a queda da remuneração da renda fixa e interessado em aplicar em ações”, observa.
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| Chico Barbosa, da Magliano |
| “Para investir é preciso entender as flutuações macroeconômicas”. |
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Em 40 anos de análise de ações, Barbosa acompanhou de perto as empresas e, sobretudo, manteve-se à tona numa tarefa difícil: recomendar aplicações de risco para os clientes. “Isto depende de análise, de entender as flutuações macroeconômicas para prever as tendências”, diz.
Formado em 1962 pela USP, teve por colegas de escola economistas como Eduardo Carvalho, Miguel Colasuonno, Carlos Viacava, Paulo Yokota e Walter Barelli, foi aluno de Luiz de Freitas Bueno e Dorival Teixeira Vieira. Aprendeu estatística. “No final do curso, eu procurava estudar as flutuações macroeconômicas e até hoje releio o clássico Prosperity and Depression, do austríaco Gottfried Haberler, que tratou das vantagens comparativas no comércio internacional”. Nos trabalhos de outro economista, Simon Kusnetz, encontrou as séries estatísticas de que necessitava. “A economia é um sistema, como um carro ou um rádio”, afirma. “A eficiência do todo depende das partes, é preciso pegar todo o sistema funcionando para entendê-lo”. Professor de matemática aplicada, estudou políticas de formação de estoques e o chamado time-lag, o tempo que demora para uma decisão econômica surtir efeito prático. “Além das decisões de empresas, bancos, consumidores e governo, é preciso levar em conta as expectativas dominantes”, diz ele. “Hoje, por exemplo, espera-se que a economia vá crescer, mas o governo não é o grande agente, é o trapalhão”.
“Chico” Barbosa atuou como economista na Creditum, em 1967; e depois na Cabral de Menezes, Baluarte, Garantia, Konta e banco BNL. No Citibank, entre 1988 e 2000, “fui economista do private, responsável pela estratégia de investimentos para grandes aplicadores”. Em 2001, entrou na corretora Geração Futuro e, nos últimos dois anos, responde pelas análises econômicas da corretora Magliano. “Sempre recorri à visão macroeconômica para analisar a bolsa”, assinala. “No final do ano passado, recebi uma análise prevendo que a crise imobiliária afetaria a economia dos Estados Unidos”. Mas como, indaga, “um segmento que representa cerca de 10% da economia poderia derrubá-la”?
Nascido em Guaratinguetá, o analista não perdeu o gosto pela vida rural. “Sempre criei bois e produzi leite, uma atividade muito complexa, na qual, confesso, nunca ganhei dinheiro”. (F.P.J.)
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