Acionistas
A internet, aliada dos investidores
Vitória Guimarães

O Home Broker, mecanismo de compra e venda de ações por intermédio da internet, bate novos recordes a cada mês – em abril, entre os recordes, negociou R$ 27,8 bilhões e o número de negócios superou a média diária de 126 mil, representando 31,15% do número total de negócios na Bolsa. Trouxe assim, para o mercado acionário, novos investidores como o esportista Fábio Falcão, o administrador Erik Adami – cuja principal atividade passou a ser a de investidor – e Thiago Miozzo, estudante de administração de empresas que passa três horas por dia na frente da tela onde negocia com ações.

Fábio, Erik e Thiago são exemplos do êxito do programa Home Broker, do qual já participam 220 mil investidores e 58 corretoras, funcionando como agente decisivo da popularização do mercado de capitais, como canal de relacionamento que torna mais simples e rápida a compra e venda de ações.

Entrando para ganhar – Fábio Falcão, 30 anos, consultor de negócios, há muito acompanha o mercado acionário, mas só há três anos começou a investir em ações. A família o desencorajou. Ainda assim, resolveu pôr em prática a vontade de “entender, começar a aplicar e ganhar dinheiro com isso”. O empurrão veio do projeto Bovespa Vai à Academia, uma das iniciativas da Bovespa para popularizar o mercado acionário.

Tenista, Fábio tem nas quadras a mesma determinação para aplicar em ações. “Eu gosto de ganhar, independentemente da área, e faço o máximo para isso acontecer sempre”. O primeiro passo é planejar. “Comecei devagar, participei de dois IPOs e fui aumentando”, conta. Hoje, está pronto para aplicar com mais agressividade. Primeiro tornou-se acionista de empresas muito negociadas – Petrobras, Vale e Banco do Brasil. Mas já começou a se voltar para empresas menores, aproveitando o bom momento do mercado. “Comprei ações do Banco Pine, que não é tão conhecido assim.” O resultado ainda não foi o desejado, mas nem por isso Falcão desanimou.

Fabio Falcão, Consultor

Esportista participou do projeto Bovespa Vai à Academia

Acompanha o mercado todo dia, mas para operar despende em média duas horas semanais, via Home Broker. “Acho o sistema excelente, e hoje vejo que é simples e ágil. Além disso, você pode visualizar no instante uma ordem de compra ou de venda.”

Quando não está trabalhando, nem acompanhando o mercado, viaja, vai ao cinema, lê romances policiais e pratica tênis. A emoção é inerente à compra e venda de ações, mas poucas vezes trabalha com a intuição. “A emoção faz parte e é gostosa, mas eu abriria mão dela para ter um retorno sem risco”, diz ele, que atua com base em informações sobre os mercados brasileiro, americano e asiático.

Em alguns momentos, pensou em parar de investir, entesourando os lucros. “Mas afinal decidi continuar, pois, além de ser uma forma de ganhar dinheiro, gosto da idéia de me tornar sócio de uma empresa e acreditar nela.”

Explorar possibilidades – O mercado de ações ajudou Erik Adami, 25 anos, a dar uma guinada em sua vida profissional. Ele trabalhou num banco durante cinco anos como administrador. Ao sair, em 2006, estava na fase de mandar currículos para empresas quando decidiu dar mais atenção à carteira de ações que já tinha. “Ela começou a dar um bom lucro, fiz umas contas e decidi que ia viver disso”, revela. A Bolsa tornou-se assim a fonte de renda de Erik, que começou a estudá-la e participar de cursos e treinamentos. Amigos e conhecidos passaram a pedir conselhos sobre ações e a indagar como ele fazia os investimentos.

Erik decidiu então montar um curso para orientar os interessados em entrar no mercado da Bolsa: “Gosto muito de educação e sempre dei muito valor ao ensino. E, além de ser um prazer repassar conhecimento, aprendo bastante”.

Aproveita as folgas para escrever, uma das suas atividades prediletas. Além dos textos, mantém um blog, “o espaço do Home Broker”, voltado para quem investe ou pretende começar a aplicar na Bolsa. A idéia de ter uma página on-line partiu dos alunos. “Depois de tanto ouvir as pessoas dizendo que eu deveria fazer um blog, resolvi criá-lo, e, apesar de estar a pouquíssimo tempo no ar, já tem um número de acessos significativo.” A internet, diz ele, é ferramenta importante para trocar informações sobre o mercado financeiro e para a popularização do negócio. “Não fosse o Home Broker, o mercado seria mais fechado, pois boa parcela dos investidores só opera por esse sistema.” Este propicia segurança aos iniciantes. “Você consegue ver tudo na sua tela, os gráficos, números, enfim, tem tudo ao seu alcancel.”

Erik tem planos de explorar negócios no mercado, tal o interesse das pessoas. “Outro dia foi o rapaz da Sabesp, que mede o consumo de água de casa, que me indagou o que eu fazia da vida, já que trabalhava em casa. Ao explicar, quis saber como funcionava e perguntou se ele poderia começar a investir também.”

Erik Adami, Administrador

O Home Broker propicia segurança aos investidores

A próxima etapa será se tornar um agente autônomo de investimentos. O sonho é acumular capital para viver tranqüilamente: “O mercado me fascina. Eu adoro a negociação, acompanho o pregão, troco informações e, além disso, gosto da idéia de bolar uma estratégia”. Com uma carteira de R$ 1 milhão, acredita, é possível viver dos dividendos.

A poupança em Bolsa – O estudante de administração de empresas Thiago Miozzo, de 19 anos, acha divertido o interesse dos amigos por seus investimentos. “Eles querem saber de tudo, como funciona, quanto eu ganho, porque também querem entrar na Bolsa, mas ainda têm medo dos riscos”, afirma. O começo foi há um ano, quando teve a primeira oportunidade de separar uma quantia para aplicar. “Não conseguia suportar as taxas baixas da poupança e de outros fundos”. Além disso, prefere os mercados de risco, nos quais é possível “ganhar mais”.

Como o salário obtido no estágio destina-se a pagar a faculdade e um curso de inglês, Thiago toma empréstimos do pai e de um amigo para aplicar, mas espera não precisar mais pedir recursos: “Agora tenho mais experiência, conhecimento e minha dedicação está sendo recompensada”.

O estudante fica pelo menos três horas diárias em frente ao computador, acompanhando o mercado. É o tempo necessário para decisões fundamentadas, tomadas com paciência e baseadas em análises gráficas. Enquanto está na internet, lê notícias econômicas e participa de debates em comunidades virtuais, inclusive da criada por ele, chamada “Um dia...vivo só de traders”.

“Busco interagir para aprofundar meu conhecimento e saber o que os outros estão achando dos novos homebrokers das corretoras, para ver quais são os melhores”, diz ele. O Home Broker confere flexibilidade, “permite que uma pessoa que não dispõe de muito tempo opere nos horários que puder, à noite ou nas horas vagas”.

As oscilações do mercado o fascinam: “É emocionante, pois a cada descoberta me sinto mais motivado e com vontade de saber mais. A prática me prepara para a vida, pois preciso ser paciente, mas ao mesmo tempo tomar decisões importantes rapidamente, o que exige determinação”. Além disso, já pensa em criar uma consultoria financeira para quem se inicia em Bolsa.

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