Clubes
Só para crianças
 
 
À primeira vista, quem ouve Letícia Carniato de Souza, com 9 anos recém-completados, falar que está investindo a mesada para no futuro comprar um carro, adquirir moradia ou garantir a faculdade parece tomar conhecimento de algo surrealista. Mas não é. Com um fundo de previdência privada, um cofrinho e, agora, um clube de investimento sob medida, Letícia não está sozinha. Uma parcela da geração que dá os primeiros passos de vida já se insere no mundo dos investimentos por pais preocupados em que o emprego continue escasso. "Como está difícil saber o dia de amanhã, estamos investindo para garantir o futuro de nossa filha, com o objetivo de manter o nível de rendimentos da família", explica a mãe Rita de Cássia Carniato de Souza, advogada. "Compartilhamos nossa preocupação com Letícia para que ela entenda a necessidade de capitalização."

O economista André Noschese também vai colocar a filha Rafaela, de 2 anos, e os sobrinhos Rodrigo, de 10 e Cristina, de 8, num clube de investimentos voltado para crianças. Noschese vê a força do mercado de capitais e quer passar para os familiares a própria experiência. "Meu avô, que é a minha inspiração, sempre investiu em ações e comprou papéis para seus três filhos, entre eles, minha mãe que manteve a tradição para melhorar os rendimentos", conta.

Falando com os petizes - Para esses pais, investimentos convencionais não atraíam porque eles buscavam conciliar educação e investimento. De olho no investidor do futuro, a Corretora Spinelli criou um clube especialmente para crianças com até 13 anos. "Nosso objetivo é levar os conceitos de mercado aos pequenos, mostrando que existe lógica e a oportunidade para se capitalizarem. Outra meta é atrair os pais, pois vamos divulgar o investimento em escolas por intermédio de palestras com educadores", explica o diretor da corretora, Nelson Spinelli Neto.

André Noschese

Passando a experiência do avô para a filha e sobrinhos
Não há prazo para saques, mas o clube sugere aos pais que deixem os recursos aplicados até que a criança complete 18 anos. Terá, então, adquirido conhecimento para decidir o que fazer. A advogada Juliana Dias Moraes Gomes pretende colocar o filho Murilo, de apenas 1 ano, no clube - e já está pensando muitíssimo longe: que o bebê poderá ficar tão satisfeito com os rendimentos e leve a aplicação até a aposentadoria. "Conforme ele for se educando sobre o assunto, poderá compreender que seu patrimônio será maior se continuar a investir no clube, já que não vale a pena ter uma caderneta de poupança", estima Juliana.

Antes mesmo de constituídos, outros projetos de clubes já têm muitos interessados. Adolescentes se sentiram atraídos pela aplicação, caso de Alexandre Lotrario Porto, 17 anos. "Comecei a analisar o mercado financeiro com mais afinco no começo deste ano, porém não podia mais acompanhar por causa da grade de estudos", declarou. "Pretendo, a partir do ano que vem voltar a observar e a investir, pois me interessei pelo clube de investimentos para crianças visando ao futuro financeiro do meu irmão, que tem 8 anos", disse. (R.S.)
 
 
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