Em 2006 a Bovespa começou disposta a intensificar os esforços de ampliação do mercado de capitais no Brasil. Entre suas prioridades estão projetos para atrair novos investidores, conquistar a adesão de novas companhias emissoras de ações e títulos de renda fixa, manter a evolução tecnológica dos serviços prestados aos participantes do mercado e lançar novos produtos.
Um dos passos mais importantes será a expansão geográfica do mercado de ações. A Bovespa estimulará as sociedades corretoras a buscar investidores fora do eixo São Paulo-Rio de Janeiro. A concentração dos volumes de negócios de pessoas físicas nessas duas cidades é alta. “Cerca de 72% das operações de pessoas físicas com ações são feitas em São Paulo e no Rio”, afirma Helcio Fajardo Henriques, assistente da Superintendência Geral da Bovespa. “Como esse tipo de investidor representa cerca de 25% do volume da Bolsa, o potencial de crescimento em outras praças é enorme.”
Os programas de popularização da Bolsa, como o Bovespa Vai Até Você, atingem milhões de pessoas em todo o Brasil. Como as corretoras atendem aos investidores conquistados, a adesão será maior com a presença permanente dos intermediários em várias cidades. A Bovespa mapeou os principais mercados potenciais, desenvolveu cinco modelos básicos de expansão geográfica e apoiará as instituições que queiram expandir seus negócios em outras cidades e Estados. Os modelos incluem desde a simples participação em eventos locais até a abertura de filiais.
Outro programa para expandir as fronteiras do mercado é a integração das Bolsas latino-americanas. A Bovespa participa dessa iniciativa no âmbito da Federação Ibero-Americana de Bolsas (Fiab), presidida por Raymundo Magliano Filho. O projeto piloto da integração envolve a Bovespa e a Bolsa Mexicana de Valores. Permitirá a compra de ações de companhias brasileiras por investidores mexicanos e de ações mexicanas por investidores brasileiros. Os desafios técnicos, que envolvem as duas depositárias (CBLC e Indeval), já foram vencidos. “Estamos agora trabalhando na montagem do arcabouço regulatório necessário, em conjunto com o Banco Central, a CVM e seus congêneres mexicanos”, afirma Henriques.
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E continua o esforço rumo ao Novo Mercado e aos Níveis Diferenciados de Governança Corporativa, cujos regulamentos devem ser atualizados este ano. Para as empresas que queiram acessar o mercado gradualmente, será criado o mercado de balcão organizado, o Bovespa Mais, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários em dezembro.
Será implantada a nova versão do sistema de negociação Home Broker Bovespa Fix, bem como o mercado a termo de renda fixa e a venda coberta de títulos.
O crescimento do mercado também depende da disseminação da cultura de investimento. O programa Bovespa Vai Até Você alcançou públicos amplos (trabalhadores, estudantes, veranistas, etc.) e entra agora numa segunda fase, com foco no público-alvo com potencial para investir. O projeto Educar será realizado em parceria com bolsas e Apimecs regionais, com cursos e distribuição de cartilhas sobre planejamento financeiro. O objetivo é atingir públicos diferenciados, dos 11 anos à terceira idade, em vários estados brasileiros.
Duas mudanças tecnológicas facilitarão o dia-a-dia dos operadores. Neste semestre, será lançada uma estação de trabalho para aumentar a agilidade no fechamento dos negócios. No segundo semestre, o sistema Mega Bolsa 380, implantado em 2004, será substituído pelo Mega Bolsa 800, que permitirá, por exemplo, o controle de limites operacionais em tempo real. Com o fim pregão a viva voz, em 2005, o espaço será reinaugurado para receber visitas e ampliar o contacto da população com a Bolsa, as companhias e as corretoras.
O Centro de Estudos Norberto Bobbio, mantido pela Bovespa, deverá realizar dois seminários internacionais neste ano. |