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| Carta ao Leitor |
| As instituições e o mercado |
| Os editores |
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Tanto em 2005 como em janeiro de 2006, o mercado acionário mostrou um extraordinário vigor. O índice Bovespa valorizou-se 27,7% no ano passado e 14,7% no primeiro mês do ano, graças a crescentes investimentos estrangeiros, presença constante de investidores locais - inclusive pessoas físicas - e movimento expressivo, de R$ 1,61 bilhão na média diária de 2005 e de R$ 2,20 bilhões diários em janeiro deste ano.
Para o ambiente favorável em Bolsa contribui diretamente o ânimo insuflado no mercado de capitais pelos novos investidores, como retrata a reportagem de capa desta edição. Dezenas de milhares de pessoas disputam os papéis em fase de lançamento, estimulando o ingresso de novas empresas. Aos empregados de muitas delas são reservados lotes de ações que fazem deles sócios minoritários dos patrões, passando a comungar interesses comuns. Alguns dos investidores não se abalam sequer com uma oscilação negativa de cotações no curto prazo, reconhecendo que se trata de um mercado de risco e que muitas vezes é preciso ter paciência para auferir bons resultados.
Este clima favorável para as aplicações em ações e para a capitalização ou a abertura das empresas não seria possível sem condições institucionais propícias. Este é o tema da entrevista de abertura, concedida pelo sócio da consultoria Tendências e ex-ministro Mailson da Nóbrega, que acaba de publicar um livro de sucesso - O futuro chegou -, cuja primeira edição já está esgotada. Em resumo, por mais intensa que possa ser a refrega eleitoral de 2006, o amadurecimento das instituições, refletido nos mercados, tenderá a refrear as turbulências e deixará prevalecer a crença de que quaisquer que sejam os governantes, as políticas econômicas têm parâmetros semelhantes ao privilegiarem a moeda estável, banco central autônomo, regras fiscais melhores e, sobretudo, a crença da sociedade nas instituições.
A sociedade brasileira tem tudo a ganhar com o fortalecimento das instituições, que permite superar crises. É claro que isto não basta, pois o Brasil pode - e deve - crescer, pelo menos, no ritmo dos demais países emergentes. E este deve ser o compromisso dos candidatos nas próximas eleições.
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