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Tractebel chega ao Novo Mercado |
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Jorge Wahl |
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Companhia depende do mercado de ações para se expandir
A Tractebel Energia, maior geradora privada de energia elétrica do País, dona de um parque gerador formado por 13 usinas hidrelétricas e termoelétricas instaladas nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás, é a mais nova integrante do Novo Mercado, ou seja, do segmento de empresas mais comprometidas com a boa governança corporativa e com acionistas pequenos, médios e grandes. Ao ingressar no Novo Mercado, optou pela política de abertura total de portas para os acionistas, cujo número cresceu com a conclusão, com êxito, da colocação de 71 milhões de ações ordinárias.
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Destas, 55 milhões pertenciam à maior acionista, a Suez Energy South America Participações, outras 16 milhões estavam em poder da BNDESPar (BNDES Participações) e o Banco UBS, líder da colocação das ações, ofereceu uma quota adicional de 9,9 milhões de ações. O preço médio foi de R$ 13,00 por ação e o resultado foi uma operação no montante total de R$ 1,051 bilhão.
“A demanda pelas ações foi quase seis vezes maior que o lote ofertado”, comemora o presidente da Tractebel, Manoel Arlindo Zaroni Torres. A operação foi possível com a conversão de ações preferenciais, sem direito a voto, em ordinárias, ou seja, com direito a voto. Só assim a empresa pode ingressar no Novo Mercado, onde são negociadas apenas ações ordinárias.
A oferta de ações, lembra Luis Antonio Vaz das Neves, da Corretora Planner, ocorreu no fim de um ano de redução das apreensões quanto ao modelo elétrico. Em 2005, o aumento do consumo de eletricidade foi de 4,6%, superando, portanto, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB). E o leilão de energia nova, realizado em dezembro, “ajudou a destravar o mercado”, acredita Neves. Foram firmados na ocasião contratos de 30 anos para fornecimento de energia hidráulica e de 15 anos para energia térmica. A Tractebel conseguiu vender sua energia por um valor médio de R$ 115,10/MWh, contra os R$ 106,95 /MWh negociados, na média, para a energia hidráulica. Em 2005, o preço dos contratos da Tractebel Energia andaram em torno de R$ 85,00/MWh, patamar 16,4% superior ao valor médio da energia vendida no ano anterior, que foi de R$ 73,00/MWh.
De modo geral, as empresas buscaram vender a maior quantidade possível de energia para consumidores livres, com os quais os preços são negociados. A Tractebel destinou no ano passado 21% a essa faixa de consumo, pretendendo chegar aos 28% em 2006.
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| Manoel Arlindo Zaroni |
| Procura por ações superou oferta em seis vezes |
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Na tentativa de obter melhores preços para a energia que produz, explica Miroel Wolowski, diretor de Negócios da Tractebel, a empresa busca atrair os consumidores livres que não se enquadrem na condição de eletrointensivos. Estes últimos, por seu elevado consumo, são obrigados a pagar o menor preço pela energia que consomem.
E a companhia tem uma estratégia de fidelização dos clientes, acenando-lhes com a possibilidade concreta de adequação dos contratos de fornecimento de energia ao processo produtivo do consumidor. Um dos pontos altos dessa política é a realização, na indústria que é potencial cliente, de uma “auditoria energética”, de modo a averiguar o quadro atual e como pode ganhar maior eficiência.
Perto do investidor - Os sinais de recuperação do mercado de energia, ajudados pelo bom comportamento do mercado acionário, contribuíram para aproximar a Tractebel de investidores e analistas. As ações da companhia subiram 91,2% em 12 meses, até 23 de janeiro. No segundo semestre de 2005, a cotação elevou-se em 41,2%. Os resultados apresentados pela empresa foram favoráveis: no terceiro trimestre, a Tractebel anunciou um lucro líquido de R$ 307 milhões, superior em 30,6% ao de igual período do ano anterior.
“Pela magnitude dos investimentos que precisam ser feitos, é perfeitamente natural estarmos estreitando a nossa parceria com a Bolsa e o mercado de capitais”, salienta Torres. A expansão do parque gerador está nos planos da empresa, um objetivo a ser alcançado tanto através da construção de novos projetos, como as usinas hidrelétricas de Estreito e São Salvador, que adicionarão 10% à capacidade de produção de energia da empresa, como por meio da aquisição de unidades de terceiros já em funcionamento.
Para Torres, os planos de crescimento “serão bastante beneficiados pela reduzida alavancagem financeira da empresa”. Em 2005, a companhia pré-pagou financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), reduzindo seu endividamento em moeda estrangeira de 55%, no ano anterior, para 33%. A geração de caixa, medida pelo Ebitda, alcançou R$ 368,1 milhões no terceiro trimestre de 2005, o que representou uma margem de 59,2%, numa evolução de 4,1 pontos percentuais sobre a conseguida em igual período do ano anterior.
Crescimento acima do setor - A Tractebel vem conseguindo crescer acima da média do setor. Em setembro de 2005, sete anos após o leilão de privatização pelo qual o Grupo Suez adquiriu a Gerasul (que mais tarde se transformou na Tractebel Energia), a companhia já havia investido R$ 2,5 bilhões na expansão e otimização de suas usinas. Nesse período, a capacidade instalada saltou de 3.719 MW para 5.860 MW, expansão de 58%. Esse porcentual de crescimento é mais expressivo quando comparado com o do conjunto do setor energético brasileiro, cuja oferta, no mesmo período, expandiu-se cerca de 30%.
Com a chegada ao Novo Mercado, está previsto um forte aumento da liquidez dos papéis da empresa. Antes, apenas três sócios, inclusive o controlador, detinham 95% do capital, de tal sorte que havia poucos investidores na companhia. A chegada ao Novo Mercado foi feita mediante uma oferta secundária, pela qual a Suez vendeu 12% de sua posição e a BNDESPar, 50% de suas ações. Após a oferta dos papéis, a Suez Energy America Participações, do grupo franco-belga Suez, teve seu controle reduzido para 68,73% da totalidade do capital, expresso em ações ordinárias, seguido do Banco Clássico (10%), de outros acionistas (6,57%), da BNDESPar (2,80%) e da União (1,90%).
A Tractebel deixou claro que depende dos acionistas para investir. No final de 2005, lembra Barth, a empresa criou uma gerência específica para tratar da área de Relações com os Investidores. Em outubro, realizou a primeira reunião com os analistas, em evento promovido pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Adotou, ao mesmo tempo, uma política mais atraente de remuneração do investidor. As futuras distribuições de dividendos, incluindo os juros sobre o capital próprio, ocorrerão semestralmente, incluindo as relativas ao exercício de 2005. O montante a ser distribuído corresponderá a 55% do lucro líquido ajustado para o respectivo semestre.
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