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| Mercado Precursor |
Lições do exterior
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Personagens ilustres, com ampla participação na vida pública brasileira, fazem parte da história da Bolsa de Valores de São Paulo. Este é o caso de Benedicto Ferri de Barros, intelectual conhecido por suas sólidas convicções liberais expostas em centenas de textos de grande densidade que publicou como escritor e jornalista, baseados em pesquisas e na observação direta dos fatos. Em sua longa trajetória conviveram as figuras do pensador e do empresário – das batalhas ganhas ou perdidas, mas sempre superadas com notável bom-humor. E entre as passagens esteve o mercado de capitais, de que Ferri, hoje com 85 anos, foi um dos primeiros divulgadores e promotores.
Em setembro de 1947, apenas dois anos depois de concluir o curso de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, onde foi aluno de professores franceses como Paul Arbousse Bastide e Paul Hugon, trabalhou no extinto Banco Nacional Imobiliário (BNI), que, ao contrário do que sugere o nome, tinha um escopo mais amplo de atuação. Lançou, então, uma publicação regular, o Informações Mensais BNI. O banco teve um papel inovador no mercado de ações, chegando a montar uma enorme força de vendas, com 500 pessoas. Atuando em todo o Brasil, elas captaram recursos vendendo ações que permitiram a capitalização da Refinaria de Petróleo União, cujos controladores, os irmãos Sampaio, detinham a concessão mas não os recursos para tocar o negócio, que foi montado em Capuava.
Mas foi no BNI que Benedicto Ferri viveu sua primeira experiência difícil, com a quebra da instituição. Teve, então, de alugar a casa onde reside até hoje, no Pacaembu, para sobreviver. Passado meio século, as lembranças são boas – de uma fase de reestruturação de vida, quando ficou mais perto dos filhos.
Alguns anos depois, lá estava o professor voltando a tratar de investimentos. Traduziu publicações estrangeiras como Os investimentos nos Estados Unidos – organizações e seu funcionamento, cuja primeira edição é de 1957 e que se destinou aos empresários interessados nas novas tendências globais. A Bovespa foi uma das patrocinadoras do livro, que surgiu antes da Lei 4.728, de 1965, que deu ao mercado de capitais a estrutura atual. Um segundo livro sobre mercado de capitais, editado pela Atlas e que chegou à oitava edição, mostrava aos universitários os primeiros passos sobre os investimentos.
Ferri foi um personagem muito atuante do mercado de capitais quando João Osório de Oliveira Germano presidia a Bolsa de Valores de São Paulo. Recebeu, então, apoio do chefe da área jurídica, Gérson de Oliveira. “A atualização da Bolsa é dessa época”, assinala. Passou, então, a ministrar cursos sobre o mercado de ações nas empresas, conhecendo de perto os dirigentes de instituições e altos executivos que presidiram, durante décadas, alguns dos maiores bancos do País.
A popularização da Bolsa, hoje, é vista por Benedicto Ferri como um passo decisivo para a democratização do capitalismo, “mas não do ponto de vista financeiro”, dado o peso preponderante detido, no Brasil, pelos investidores institucionais. “Se há algo verdadeiramente globalizado é o mercado de capitais e a Bolsa”.
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